Carta ao leitor

Fevereiro foi um mês de ajustes e atenção redobrada no comércio exterior. O mercado de importação no Brasil sentiu reflexos das movimentações do cenário internacional.

A China, nossa principal parceira comercial no fornecimento de insumos e produtos industrializados, apresentou um ritmo mais contido. Parte disso se explica pelas pressões tarifárias globais e ambiente político internacional, mas também teve influência do feriado que marca o início do Ano Novo Chinês, celebrado em 17 de fevereiro.

Nesse período, as fábricas do país asiático reduzem produção, embarques são reorganizados e a cadeia logística global opera em ritmo diferente por algumas semanas. Para quem importa, planejamento é necessidade.

Paralelamente, no Brasil, entrou em vigor em 02/02/2026 o direito antidumping sobre o aço pré-pintado. A medida trouxe um novo componente ao cálculo das operações. Além do imposto de importação, que variava entre 10% e 14%, passou a incidir um direito adicional específico por tonelada, capaz de elevar o custo final do produto em até 40%, dependendo da origem e do exportador.

Mudanças como essa naturalmente exigem atenção, leitura técnica, organização e estratégia. E é exatamente assim que nós da Victoria Advisory atuamos.

Antecipamos cenários, revisamos fornecedores, estudamos novas rotas comerciais e avaliamos países não atingidos pela medida. Intensificamos a análise de enquadramento de NCM, reforçamos compliance documental e estruturamos operações com possibilidade de utilização de drawback quando aplicável. Tudo para reduzir impactos e preservar a competitividade dos nossos clientes.

Também tratamos a sazonalidade com previsibilidade, já que quando as pausas operacionais no Brasil e na China são consideradas no planejamento, quem importa consegue organizar embarques antes da vigência da medida e ajustar fluxos logísticos de forma segura.

Medidas preventivas contribuem para a estabilidade das remessas de outros países para o Brasil. E iniciamos o ano com dados positivos nesse sentido, com  o crescimento superior a 10% nas importações registrado em janeiro, segundo dados preliminares da balança comercial.

O cenário atual é de recalibração, pois a vigência do antidumping, prevista para até 2031, exige revisão de estratégias no setor de aço pré-pintado, o que não significa apenas buscar preço, mas analisar risco, margem, logística, origem e conformidade regulatória.

No comércio exterior, cada detalhe importa: uma classificação fiscal incorreta, um atraso documental ou uma origem mal declarada podem gerar custos adicionais e insegurança jurídica. Por isso, seguimos atuando com planejamento, responsabilidade e visão de longo prazo.

Nossa missão continua a ser garantir previsibilidade em um ambiente que muda constantemente. Trabalhar dentro da legalidade, reduzir riscos, proteger margens e transformar desafios regulatórios em oportunidades estratégicas. Seguimos atentos, acompanhando o cenário diariamente.


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